De acordo com dados oficiais do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), o subsector não diamantífero registou em 2024 avanços visíveis, embora ainda parta de uma base reduzida.
A produção de minério de ferro atingiu 95.751 toneladas, tendo sido exportadas 29.679 toneladas de ferro-gusa, maioritariamente para os Estados Unidos. No ouro, a produção situou-se nas 3.198 onças finas.
O grande marco ocorreu a 29 de Outubro de 2025, com a inauguração da mina de cobre de Tetelo, em Maquela do Zombo, província do Uíge. Trata-se da primeira grande operação de cobre moderna no país após mais de cinco décadas.
O projecto, desenvolvido pela Shining Star Icarus, tem capacidade inicial de processamento de 4.000 toneladas de minério por dia e deverá gerar entre 2.500 e 3.000 empregos directos na fase de plena operação.
Fontes do sector destacam o Corredor do Lobito como o principal factor de competitividade do novo ciclo mineiro, permitindo a redução significativa dos custos e prazos de exportação de minerais para a Europa e América do Norte, tornando viáveis projectos que antes enfrentavam graves constrangimentos logísticos.
Além de Tetelo, outros projectos ganham relevo na agenda governamental:
· O projecto Longonjo, de terras raras, da empresa Pensana, considerado um dos depósitos de melhor qualidade a nível mundial;
· A reactivação da mina de Cassinga, na Huíla, para ferro;
· Desenvolvimento de polos de rochas ornamentais e fosfatos;
· A construção da Refinaria de Ouro de Luanda, com entrada prevista para 2026.
O Plano de Desenvolvimento do Sector dos Recursos Minerais 2023-2027 define claramente a diversificação da produção mineira como prioridade. O documento aposta na passagem gradual da exportação de matéria-prima em bruto para a criação de valor local, através do processamento industrial e da atracção de investimento estrangeiro.
A Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM) tem reforçado a promoção de áreas de investimento, especialmente em cobre, ferro e minerais críticos, procurando captar capitais para projectos com maior componente de transformação local.
Apesar do optimismo, ainda existem constrangimentos que limitam o potencial do sector. A produção actual continua modesta face ao potencial geológico do país, maioria dos minerais é exportada com baixo teor de transformação, o défice energético persiste em várias regiões mineiras e a formação de mão-de-obra qualificada avança a ritmo lento.
Outro ponto crítico é a execução. Angola tem demonstrado capacidade para lançar projectos, mas a conclusão atempada e em pleno funcionamento continua a ser um desafio recorrente.
Se os principais projectos em curso atingirem os objectivos traçados, o sector mineiro não diamantífero poderá passar de marginal para uma componente mais relevante das exportações não petrolíferas até ao final da década.
Mais do que volume, o ganho esperado reside na diversificação geográfica da produção, na criação de emprego qualificado e na maior integração da actividade mineira na economia real.
