Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram hoje, 28 de abril, de forma oficial, a sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da aliança OPEP+, com efeito a partir de 1 de maio de 2026.

O Ministro da Energia e Infraestruturas dos EAU, Suhail Mohamed Al Mazrouei, confirmou a informação e justificou a saída como uma decisão soberana de interesse nacional. Segundo ele, a medida resulta de uma “revisão abrangente” da estratégia energética do país, da sua capacidade actual e futura de produção, e da necessidade de maior flexibilidade para responder à dinâmica do mercado global.

Esta decisão reflete a visão estratégica e económica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e o seu perfil energético em evolução. Continuaremos a ser um fornecedor responsável, confiável e com baixo teor de carbono, contribuindo para a estabilidade dos mercados globais de energia”, afirmou o ministro.

Os EAU, terceiro maior produtor da OPEP, vinham há vários anos demonstrando insatisfação com o sistema de quotas de produção impostas pelo grupo, liderado de facto pela Arábia Saudita. Abu Dhabi argumentava que as suas baselines (níveis de referência) não reflectiam a sua verdadeira capacidade instalada, o que limitava a sua capacidade de aumentar a produção e ganhar mais quota de mercado.

Disputas públicas já tinham ocorrido em 2021 e em outros momentos, mas nunca tinham chegado a uma saída formal. Agora, em meio à guerra no Irão e ao quase total bloqueio do Estreito de Ormuz - principal rota de exportação de petróleo do Golfo -, a decisão ganha ainda mais peso.

Actualmente, devido ao conflito, as exportações dos EAU já caíram drasticamente (alguns relatos indicam reduções próximas de 40 a 44%). Quando o estreito for reaberto, os Emirados pretendem aumentar a produção de forma significativa e sem as restrições da OPEP+.

Para a OPEP e a OPEP+, com a perda de um membro importante e de elevada capacidade técnica, o cartel fica mais fraco e com menor capacidade de controlar a oferta mundial, neste cenário, analistas já falam em possível fragmentação crescente do grupo.

Para a Arábia Saudita, a decisão surge com um golpe político e estratégico, pois, perde um aliado histórico, apesar das tensões recentes, com foco para o Iémen.

Para o mercado de petróleo, de modo geral, no curto prazo, o impacto é limitado devido ao bloqueio de Ormuz, já no médio e longo prazo, quando a produção dos EAU voltar a subir livremente, poderá exercer pressão baixista sobre os preços, aumentando a oferta no mercado.

Contudo os já EAU garantem que vão aumentar a produção de forma “gradual e medida”, alinhada à demanda real, e que continuarão a investir em óleo, gás, renováveis e soluções de baixo carbono.

Apesar do anúncio, ainda não há uma reacção oficial da Arábia Saudita ou da secretaria da OPEP, mas o mercado acompanha com atenção a volatilidade dos preços do petróleo, que já estão elevados devido à crise no Golfo.