A Nigéria e a Guiné Equatorial lideram projectos de expansão e cooperação regional que, se bem-sucedidos, podem transformar gás “encalhado” em receitas estáveis, industrialização e maior peso geopolítico. No entanto, a história da região levanta uma questão central:
A execução vai corresponder ao potencial desta vez?
A Nigéria continua a ser o principal actor. A planta NLNG de Bonny Island tem actualmente a capacidade de 22 milhões de toneladas por ano (MTPA), enquanto o projecto Train 7, com investimento superior a 10 mil milhões de dólares, visa adicionar cerca de 8 MTPA, elevando o total para 30 MTPA, com um aumento de 35%.
Em meados de 2026, o avanço físico situa-se entre 80% e 88.
O projecto é importante para monetizar gás associado ao petróleo e reduzir a queima de gás (flaring) no Delta do Níger.
A estratégia mais inovadora vem da Guiné Equatorial. O complexo de Punta Europa (EG LNG), com capacidade de 3,7 MTPA, é o centro do Gas Mega Hub (GMH) — uma visão que pretende transformar o país num hub regional de processamento de gás do Golfo da Guiné, agregando recursos de países vizinhos.
Em Fevereiro de 2026, os Camarões e a Guiné Equatorial assinaram o acordo de unitização do campo Yoyo-Yolanda, com reservas estimadas em 2,5 biliões de pés cúbicos (TCF) de gás que será processado em Punta Europa.
A repartição aproximada é de 84% para Camarões e 16% para a Guiné Equatorial, tendo a Chevron, como operador, reafirmado o compromisso, destacando o uso de infraestruturas existentes para reduzir custos e acelerar o projecto.
Assim a Guiné Equatorial reutiliza activos maduros (Punta Europa e plantas de metanol) para agregar gás “stranded” de vizinhos, uma abordagem mais eficiente em termos de capital e que representa um raro exemplo de cooperação transfronteiriça efectiva em África.
O GNL do Golfo da Guiné oferece vantagens estratégicas que incluem a proximidade ao Atlântico, menor risco geopolítico que o Médio Oriente e parcerias fortes com empresas ocidentais como Chevron, ConocoPhillips e Shell; contribuindo para a diversificação europeia e asiática, embora o volume combinado ainda seja modesto à escala global.
Entretanto, a execução, o feedstock, riscos políticos e regulatórios, transição energética e os impactos locais ainda constituem desafios que colocam em causa o sucesso dos projectos.
O Gas Mega Hub, apoiado por acordos como Yoyo-Yolanda e o pipeline Nigéria-Guiné Equatorial, pode tornar-se um modelo de integração energética africana, contudo o sucesso não dependerá de novos memorandos, mas da efectiva conclusão de projectos em 2027 e seguintes.
Se os prazos forem cumpridos, a região pode evoluir de “área de risco” para hub energético atlântico relevante. Caso contrário, arrisca repetir o ciclo de potencial não realizado.
O GNL do Golfo da Guiné não será capaz de resolver a transição energética global, mas pode trazer desenvolvimento económico mais sustentável a vários países da região e maior diversificação para importadores.
