A África do Sul, com a sua base produtiva diversificada, infraestrutura avançada e capacidade tecnológica superior à média regional, ocupava, de forma quase incontestada, a posição de principal potência industrial do continente.
O cenário começa agora a mudar.
A diferença é pequena, mas o significado económico é considerável. Com uma pontuação de 0,8415, contra 0,8396 da África do Sul, alcançando um marco que sintetiza duas décadas de investimento estratégico, planeamento industrial e integração nas cadeias globais de valor.
O sucesso marroquino não foi construído sobre abundância de petróleo ou receitas extraordinárias provenientes de recursos naturais. Pelo contrário, foi baseado na criação gradual de capacidades produtivas, na atracção de investimento estrangeiro e na transformação do país num centro de exportação para mercados europeus, africanos e do Médio Oriente.
A indústria automóvel tornou-se no principal símbolo dessa transformação. Marrocos consolidou-se como o maior produtor automóvel do continente, atraindo fabricantes globais e desenvolvendo uma extensa rede de fornecedores locais
Em paralelo, o país investiu fortemente na indústria aeroespacial, criando parques industriais especializados e formando mão-de-obra qualificada para responder às exigências de empresas internacionais, o que resultou na integração crescente nas cadeias globais de fornecimento de componentes aeronáuticos.
Outro factor decisivo foi a valorização dos recursos minerais.
Marrocos detém algumas das maiores reservas mundiais de fosfatos, mas optou por uma estratégia diferente da simples exportação de matéria-prima. A aposta na produção de fertilizantes e produtos derivados permitiu capturar uma parcela maior do valor económico gerado pelo recurso, reforçando simultaneamente a sua posição estratégica no mercado agrícola internacional.
Embora a África do Sul continua a possuir a economia industrial mais diversificada do continente, o país tem encontrado dificuldades para manter o ritmo de expansão observado por concorrentes emergentes.
A questão que se coloca agora não é apenas se Marrocos conseguirá manter a liderança conquistada, mas quais os países africanos que serão capazes de seguir o mesmo caminho e transformar crescimento económico em verdadeira transformação estrutural.
