A balança comercial de Angola registou um saldo positivo de 2,04 biliões de kwanzas no período correspondente ao mês de abril.
De acordo com os dados estatísticos mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, o indicador reflecte um crescimento considerável quando comparado ao valor de 1,16 bilião de kwanzas apurado em igual período do ano anterior.
A realidade aponta para o comportamento do preço médio do petróleo bruto — o principal vector de exportação da economia nacional — como o factor determinante para a expansão do superávit. No confronto homólogo, o volume total das exportações de bens registou um avanço expressivo de 45,98%, superando o incremento de 13,82% verificado na importação de mercadorias.
Contudo, a análise face ao mês de março, sugere uma perda de velocidade no comércio internacional angolano, ou seja, em termos mensais, as exportações e as importações contraíram 13,63% e 9,17%, respectivamente, ilustrando a volatilidade e o arrefecimento temporário dos fluxos comerciais de curto prazo.
A radiografia da pauta de exportações reafirma a forte concentração da estrutura económica do país.
O grupo de produtos composto por petróleo, combustíveis e gás representou 92,96% do valor global das saídas em abril. O sector de pérolas, pedras e metais preciosos — onde se inserem os diamantes e a bijuteria — posicionou-se como a segunda força exportadora, embora com uma quota de apenas 3,42% do total.
Por outro lado, o perfil das importações evidencia a dependência externa de bens industriais e de subsistência.
A categoria de máquinas e aparelhos liderou as compras do país no exterior, absorvendo 26,80% do bolo de importações. Seguiram-se os combustíveis refinados, com 15,81%, os produtos alimentares, com 10,85%, os veículos e outros meios de transporte com 9,57% e os metais comuns a ocupar 8,66% do bolo.
No plano das relações internacionais, a Ásia consolida-se como o destino preferencial da produção nacional. A China manteve a liderança absoluta como o principal cliente, absorvendo 44,66% das exportações, fixando-se na segunda posição, com uma quota de 29,86%, seguida pela Malásia (6,67%), Taiwan (3,37%) e Países Baixos (3,02%).
Quanto ao abastecimento do mercado interno, a China figura igualmente como a principal origem das importações angolanas, respondendo por 24,99% do total. Portugal surge na segunda posição com 10,54%, seguido pelos Estados Unidos (8,66%), Togo (5,37%) e Índia (4,72%), com os maiores incrementos nas taxas de crescimento das importações por país de origem pertencentes ao Togo, à Nigéria e à Polónia.
O desempenho de abril reforça a sensibilidade das contas externas angolanas às oscilações das commodities no mercado global. Se, por um lado, a valorização do crude garante almofada financeira ao Executivo através do superávit cambial, por outro, o peso dos refinados e dos alimentos na factura de importação sublinha o desafio contínuo da diversificação económica e do fomento da produção interna.
