A volatilidade cambial continua a representar um dos principais factores de pressão sobre a execução do OGE.

A instabilidade cambial tem impacto directo sobre a dívida pública. Dados económicos internacionais indicam que a dívida pública angolana corresponde actualmente a cerca de 57% a 58% do Produto Interno Bruto (PIB).

Como parte significativa desta dívida está denominada em moeda estrangeira, qualquer desvalorização do kwanza aumenta automaticamente o custo do serviço da dívida em moeda nacional.

Na prática, o Estado necessita de mais kwanzas para pagar compromissos externos fixados em dólares, situação que reduz a margem financeira disponível para despesas sociais e investimentos públicos.

Além da dívida, os efeitos da volatilidade cambial reflectem-se no custo das importações. Sectores como saúde, energia, educação e construção dependem fortemente da aquisição de equipamentos, medicamentos, tecnologia e matéria-prima importada.

Com a desvalorização da moeda nacional, vários contratos públicos tornam-se mais caros, passando a pressionar a execução financeira dos programas previstos no OGE.

Dados do BNA indicam que a economia angolana deverá crescer 3,5% em 2026, impulsionada sobretudo pelo sector não petrolífero, cuja previsão de crescimento é de 4,5%.

A redução da vulnerabilidade cambial exige maior aposta na produção nacional, substituição de importações e redução gradual da dependência das receitas petrolíferas, além de maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária, para assegurar estabilidade macroeconómica e maior eficiência na execução do OGE.