Em 17 de abril de 2026, durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington (EUA), os governadores e presidentes dos bancos centrais dos oito países de língua portuguesa deram um passo histórico: a criação formal da Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP).
Reunidos à margem dos encontros multilaterais, os responsáveis do Banco Nacional de Angola (BNA), Banco Central do Brasil (BCB), Banco de Cabo Verde (BCV), Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO, representado pela Directora Nacional para a Guiné-Bissau), Banco de Moçambique (BM), Banco de Portugal (BdP), Banco Central de São Tomé e Príncipe (BCSTP) e Banco Central de Timor-Leste (BCTL) assinaram o acordo que institucionaliza a cooperação que já existia de forma informal há anos.
O comunicado conjunto é claro: “A criação da Rede dos BCPLP espelha a importância crescente da construção de pontes entre as instituições dos nossos países, reforçando, estruturando e tornando permanente o trabalho conjunto que já tem vindo a ser realizado.” A iniciativa visa aumentar a partilha de conhecimento, alinhar posições em fóruns internacionais e potenciar a relevância da lusofonia na arena global.
A presidência é rotativa anual: o Banco de Portugal assume a primeira, em 2027. A primeira reunião oficial está agendada para novembro de 2026, em Luanda, organizada pelo Banco Nacional de Angola.
Além de encontros de alto nível, a Rede prevê a criação de grupos de trabalho técnicos e de um Comité de Política Económica para analisar temas comuns, como estabilidade financeira, inclusão, sustentabilidade e tecnologia. Em 2024, só o Banco de Portugal realizou 157 acções de cooperação com os parceiros lusófonos, sendo 76% do total das suas acções internacionais.
O portal da Rede já existente disponibiliza documentos chave, como o Relatório Anual da Actividade de Cooperação 2024 (RAAC 2024) e a publicação “Evolução das Economias dos PALOP e de Timor-Leste 2024/2025”, com indicadores macroeconómicos comparáveis e anexos estatísticos em Excel.
Com a BCPLP, os bancos centrais lusófonos passam de encontros informais (como o Encontro de Lisboa ou fóruns de supervisão e estatística) para uma rede estruturada e permanente.
Espera-se, como resultado, maior influência nos debates internacionais e soluções mais eficazes para desafios comuns.
A reunião de Luanda, em novembro, será o primeiro teste real desta nova fase de cooperação estratégica entre os países de língua portuguesa.