O anúncio foi feito durante um “Botswana-Angola Working Breakfast” sobre oportunidades de negócios e investimento, organizado pela Embaixada de Angola no Botswana, com cerca de 100 participantes, dentre os quais empresários dos dois países, membros do Governo botswano, representantes do Botswana Investment and Trade Centre e instituições públicas e privadas.

Angola e Botswana mantêm relações diplomáticas desde 1975 (com formalização confirmada em 1980, segundo fontes oficiais), num quadro de amizade e cooperação regional que remonta à luta contra o apartheid sul-africano e à independência de ambos os Estados.

Em fevereiro de 2006, os dois países assinaram o Acordo Geral de Cooperação, que abriu caminho para parcerias em transportes, agricultura, recursos hídricos e conservação ambiental.

Ambos países são membros fundadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), frameworks que priorizam a integração económica.

Em março de 2026, os dois Governos anunciaram a preparação de 17 novos instrumentos jurídicos de cooperação, focados em diamantes, agricultura, educação, saúde e ambiente, um sinal claro de que a ABCCI chega num momento de aceleração bilateral.

Apesar da proximidade geográfica e da complementaridade económica entre os países, o volume de comércio bilateral permanece extremamente baixo, tendo Angola exportado para o Botswana cerca de 19,3 milhões de dólares, sendo 19,2 milhões apenas em diamantes (quase 99% do total) em 2024.

As exportações do Botswana para Angola são ainda mais modestas: em 2019, a exportação de carne bovina e miudezas foi de apenas 613 mil dólares (dos quais 391 mil dólares em carne bovina fresca ou refrigerada).

A Câmara, de natureza privada e sem fins lucrativos, foi promovida inicialmente por empresas angolanas como SIGFOX – Africa Tech Solutions, FINCREST e CERTEX ANGOLA e tem como visão ser o “principal facilitador dos laços económicos” entre os dois países no âmbito da SADC e da AfCFTA com os objectivos de promover e defender os interesses empresariais, industriais e comerciais, eliminar barreiras ao investimento, criar uma plataforma permanente de negócios e fomentar projectos de pequena, média e grande escala.

O Embaixador de Angola em Botswana, H.E. Sandro de Oliveira, descreveu o evento como “o primeiro passo na eliminação das barreiras que impedem negócios rentáveis, na conquista da confiança mútua e na criação de uma ponte permanente”.

A criação da ABCCI não é apenas mais uma câmara de comércio, é o primeiro instrumento institucional privado que materializa décadas de relações diplomáticas cordiais num plano económico prático e ambicioso.

Num continente que aposta na AfCFTA para duplicar o comércio intra-africano até 2035, Angola e Botswana acabam de dar um passo concreto e estratégico, agora, cabe ao futuro dizer se este será o início de uma verdadeira “ponte económica” na SADC.