O Banco Nacional de Angola (BNA) voltou a reduzir a taxa de juro de referência, fixando-a agora em 17%, numa decisão que reforça os sinais de desaceleração da inflação e de maior estabilidade macroeconómica no país.

Em Janeiro, o banco central já havia reduzido a taxa de 18,5% para 17,5%, iniciando um ciclo de flexibilização monetária depois de um longo período de política restritiva.

Além da taxa directora, foi também reduzida a taxa de cedência de liquidez para 18% e a taxa de absorção de liquidez para 16%, numa tentativa de tornar o crédito menos caro e assim estimular a actividade económica.

A decisão surgiu num contexto de desaceleração contínua da inflação. Dados divulgados pelo banco central indicam que a inflação anual caiu para 11,58% em Abril de 2026, o nível mais baixo desde Junho de 2023.

 O comportamento dos preços tem sido influenciado pela maior estabilidade cambial, melhoria da oferta de bens essenciais e desaceleração gradual da pressão sobre os custos de importação.

Segundo o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, os “ganhos observados na trajectória da inflação” permitiram criar espaço para uma política monetária menos restritiva, sem comprometer os objectivos de estabilidade económica, mostrando uma crença de que a tendência de desaceleração poderá continuar nos próximos meses. A instituição reviu, inclusive, em baixa a previsão da inflação para o final de 2026, reduzindo a meta de 13,5% para 11,5%.

O cenário também é sustentado por indicadores considerados positivos pelo regulador, com as Reservas Internacionais Líquidas a atingir cerca de 15,82 mil milhões de dólares, garantindo cobertura de aproximadamente sete meses e meio de importações.

Já o crédito à economia em moeda nacional ultrapassou os 7 biliões de kwanzas, reflectindo um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na prática, a redução da taxa directora pode abrir espaço para uma diminuição gradual dos juros cobrados pelos bancos comerciais em empréstimos a empresas e famílias, podendo contribuir para o incentivo ao investimento privado, estimular o consumo e apoiar sectores não petrolíferos da economia nacional mas sem efeitos imediatos.