Os dados mais recentes mostram uma mudança significativa no comportamento dos preços em Angola. Em Dezembro de 2024, a inflação homóloga situava-se acima dos 27%, pressionada sobretudo pela desvalorização cambial, aumento dos custos de importação e instabilidade da oferta interna.

 No final de 2025, o indicador já havia recuado para cerca de 15,7%. Em Abril deste ano, a inflação caiu novamente, atingindo 11,58%, um dos níveis mais baixos registados no país nos últimos anos.

Com a desaceleração da inflação, o banco central decidiu aliviar parcialmente as condições monetárias para estimular o crédito e apoiar os sectores produtivos. Além da redução da taxa básica, o BNA baixou a taxa de cedência de liquidez de 18,5% para 18% e reduziu a taxa de absorção de liquidez de 16,5% para 16%.

Na prática, isso significa que os bancos comerciais passam a ter acesso a financiamento mais barato junto do banco central, aumentando a capacidade de conceder crédito à economia com o objectivo de incentivar investimentos privados, dinamizar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

 Em Abril, a liquidez disponível no mercado interbancário cresceu cerca de 61%, depois de um aumento de apenas 13% em Março. As reservas livres dos bancos comerciais atingiram aproximadamente 253 milhões de euros, indicando maior disponibilidade de recursos para operações de crédito.

O crédito em moeda nacional também registou crescimento. Segundo os dados apresentados pelo BNA, o stock de crédito atingiu cerca de 6,83 mil milhões de euros em Abril, representando um crescimento mensal de 1,24% e um aumento homólogo próximo de 15%.

Ao mesmo tempo, os indicadores monetários continuam a expandir-se. O agregado monetário M2, que mede a quantidade de dinheiro em circulação na economia, cresceu 8% apenas em Abril. No acumulado do ano, o crescimento já ultrapassa 13,5%, enquanto a variação homóloga ronda 28,6%.

Parte dessa expansão está relacionada ao pagamento de atrasados do Estado às empresas fornecedoras. A regularização dessas dívidas injectou recursos directamente na economia, aumentando circulação monetária e a capacidade financeira das empresas.

O desempenho do sector externo ajudou a criar condições para o actual movimento do banco central, com as reservas internacionais líquidas a subir para cerca de 13,60 mil milhões de euros, valor suficiente para cobrir aproximadamente sete meses e meio de importações.

O saldo externo também apresentou melhoria relevante. Segundo os dados divulgados pelo BNA, as exportações cresceram cerca de 1,41 mil milhões de euros, enquanto as importações aumentaram apenas 165 milhões.

Neste cenário, o diferencial positivo foi impulsionado principalmente pela recuperação das receitas petrolíferas e pela relativa estabilidade do mercado cambial.