A startup angolana ANDA ficou em 7º lugar no Top 50 African Mobility Companies, um ranking desenvolvido pela MobilityX Africa em parceria com a Africa E-Mobility Alliance (AfEMA).

O relatório, lançado em 2025 e atualizado em 2026, baseia-se num quadro de avaliação de pontos distribuído por três pilares: a força do negócio (40%), que inclui tração comercial, equipa, crescimento e saúde financeira; inovação (30%), relativa à adaptação ao mercado africano, tecnologia e modelo de negócio; e sustentabilidade e impacto (30%), que pondera benefícios ambientais e sociais..

Com um mercado que possui uma média de 42 veículos por cada 1.000 habitantes, um valor muito abaixo da média global de 190, este cenário é apontado pela MobilityX Africa como razão para o crescente interesse em soluções de mobilidade integrada, financiamento de activos, veículos eléctricos e alternativas ao transporte informal no continente.

O modelo de negócio, a que a empresa chama "Drive-to-Own", combina financiamento de motos, tuk-tuks de três rodas e, mais recentemente, carros, com formação profissional através da Anda Academy (certificada pelo INEFOP), seguro, GPS, equipamento de segurança e uma rede de pontos de apoio físico aos motoristas, além de uma plataforma de ride-hailing e entregas.

A empresa foi também incluída em listas de startups promissoras publicadas pela Bloomberg, pela African Business e pela Tech in Africa, e foi finalista em eventos como o Web Summit e o AfricaTech Award.

O sector de mobilidade informal é uma fonte significativa de emprego em Angola, mas apresenta desafios estruturais como o acesso limitado a crédito, a falta de seguros e licenciamento entre motoristas, e questões de segurança rodoviária.

Empresas como a ANDA propõem-se responder a estes problemas através da formalização e do financiamento de activos — um modelo que já foi testado, com variações, noutros mercados africanos e asiáticos, e cujo sucesso a longo prazo depende de factores como taxas de incumprimento no crédito e capacidade de manter o crescimento sem depender exclusivamente de capital externo.

O reconhecimento da ANDA no Top 50 African Mobility Companies surge num momento em que o interesse de investidores por soluções de mobilidade em África tem crescido, impulsionado pela baixa densidade veicular do continente e pela urbanização acelerada.

Para a ANDA, o desafio agora passa por sustentar o ritmo de crescimento reportado nos últimos meses — incluindo a integração de veículos eléctricos e a expansão para novas províncias — sem depender exclusivamente de capital externo, e por consolidar dados que permitam avaliar de forma independente o impacto real do seu modelo. Se os planos de expansão para Moçambique e a RDC se concretizarem, a empresa poderá testar se o modelo "Drive-to-Own" é replicável fora do mercado angolano, onde foi desenvolvido.