No dia 29 de Janeiro de 2026, o Presidente da República, Daniel Chapo, e o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, reuniram-se em Afungi, no distrito de Palma, para anunciar oficialmente a retoma total das actividades tanto em terra quanto no mar.

O projecto que envolve a exploração dos campos de gás Golfinho e Atum na Bacia do Rovuma, prevê produzir 13,12 milhões de toneladas por ano de gás natural liquefeito (GNL). A primeira produção está marcada para 2029.

Quando foi lançado, em 2019, falava-se num investimento total na ordem dos 20 mil milhões de dólares embora algumas fontes oficiais moçambicanas continuam a referir 15,4 mil milhões de dólares como o valor directo do investimento.

Após a descoberta de enormes reservas de gás na Bacia do Rovuma por volta de 2010, o consórcio liderado pela TotalEnergies tomou a Decisão Final de Investimento (FID) em 2019, cujas obras arrancaram em 2020, contudo, os ataques armados em Cabo Delgado de abril de 2021 obrigaram a empresa a declarar force majeure e suspender tudo.

O projecto ficou praticamente congelado durante quase cinco anos. Entretanto, grandes avanços na parte de engenharia e aquisição de equipamentos foram notados — ao ponto de, ao retornar, o projecto já contar com cerca de 40% de conclusão.

Em 7 de Novembro de 2025, o consórcio decidiu finalmente levantar a force majeure. Dois meses e meio depois, veio o anúncio oficial em Afungi.

Se tudo correr bem, o projecto será capaz de gerar até 7.000 empregos directos no pico da construção. Há também um compromisso de serem gastos mais de 4,5 mil milhões de dólares em contratos com empresas moçambicanas, o que, pode dar um grande impulso às PME nacionais.

Espera-se que o projecto tenha uma vida útil de 25 a 30 anos, ao longo deste tempo, o Estado moçambicano espera receber dezenas de milhares de milhões de dólares em impostos, royalties e dividendos da ENH. Algumas estimativas chegam mesmo aos 35 mil milhões de dólares em receitas totais para o país.

A segurança em Cabo Delgado melhorou bastante, mas ainda há riscos, entretanto, a TotalEnergies garante que as condições estão criadas para que o projecto “nunca mais pare”.

Assim, depois de anos parado, o gás de Rovuma voltou a mexer, e com ele, muitas expectativas para o futuro económico do país.