A medida institucionaliza as intervenções no mercado de divisas, promovendo maior transparência, previsibilidade e confiança dos investidores, enquanto mantém um regime de taxa de câmbio flexível determinado pelo mercado.
O Gana enfrentou uma das piores crises económicas da sua história recente, com forte depreciação do cedi, inflação elevada, reservas exíguas e necessidade de um programa de resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, 2025 marcou uma reviravolta impressionante: cedi tornou-se na moeda com melhor performance mundial, valorizando entre cerca de 40,7% e 42% face ao dólar americano em vários momentos do ano.
A apreciação foi impulsionada por factores como preços elevados do ouro -sendo a principal exportação -, política monetária restritiva, remessas fortes, gestão fiscal mais disciplinada e intervenções activas do BoG.
O Programa Doméstico de Compra de Ouro (Domestic Gold Purchase Programme - DGPP) desempenhou um papel indispensável, permitindo ao banco central acumular reservas directamente do ouro produzido localmente.
Segundo o jornal Expansão, o cedi contrariou as previsões do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que esperavam desvalorização.
Até o período entre maio e julho de 2025, o cedi liderava o ranking global de performances, com valorização superior a 42%. O BoG vendeu cerca de US$ 1,4 mil milhões no primeiro trimestre de 2025 (após cerca de US$ 3 mil milhões em 2024), num ritmo considerado agressivo.
Assim, o FMI reclassificou o regime cambial do Gana como “administrado” devido à intensidade das intervenções.
A nova framework, desenvolvida com assistência técnica do FMI (AFRITAC West 2 e Departamento de Mercados Monetários e de Capitais), clarifica objectivos, princípios e procedimentos; mantém o princípio de que a taxa de câmbio deve ser determinada pelo mercado, mas permite intervenções para corrigir falhas e suavizar volatilidade excessiva de curto prazo, visando a acumulação de reservas , a redução da volatilidade excessiva e a intermediação neutra de fluxos canalizando entradas de divisas como ouro e rendições de exportadores, de forma ordenada e transparente, sem influenciar a tendência da taxa.
As operações ocorrem, principalmente, através de leilões competitivos de montante fixo e taxa variável, onde as intervenções regulares são pré-anunciadas mensalmente (duas vezes por semana), enquanto as operações para volatilidade têm anúncios mais rápidos e os resultados são publicados no mesmo dia e dados agregados mensais divulgados em até cinco dias úteis, distinguindo claramente os objectivos de cada operação.
Em janeiro deste ano, o BoG anunciou planos para injectar até US$ 1 mil milhão no mercado via leilões, continuando a operacionalizar a framework visando evitar a concentração de risco e aumentar a eficiência do mercado.
A nova estrutura de operações cambiais do Banco do Gana representa a maturação da gestão macroeconómica do país após a crise. Ao institucionalizar transparência e regras claras, o BoG procura consolidar os ganhos do cedi e criar um ambiente mais previsível para investidores nacionais e estrangeiros.
O sucesso da framework dependerá, em última análise, da capacidade do país de diversificar a economia para além do ouro, cacau e petróleo, e de manter a disciplina fiscal e monetária a médio e longo prazo.